Eleições

September 6th, 2009

Este é um ano rico em eleições e até nos faz lembrar aquela canção sobre os santos populares: as eleições europeias já se acabaram, as eleições autárquicas estão-se a acabar e as eleições legislativas vamos lá ver se depois do circo alguma coisa muda.

Decidi que vou ler os programas eleitorais de todos os partidos. Sempre quero ver quais as propostas que os distinguem. Desisti da televisão. O jornalistas parecem só estar interessados em retratar os insultos, as picardias, as faltas de respeito. O que interessa do discurso, as propostas concretas que os partidos apregoam estar dispostos a fazer, dessas não reza a história nos telejornais porque essas não têm audiências. Primeiro porque já ninguém acredita que eles façam alguma coisa daquilo que nos vendem nas campanhas e depois porque o povo parece genuínamente mais interessado nas gaffes e nos gozos e insultos do que em discursos sérios.
Aliás este é o discurso que compensa.
Não interessa se é ilegal, se é falta de respeito, se é corrupto, mas se faz e a justiça não consegue punir então não faz mal.

Já comecei pelo do PS. Curto, eleitoralista, muito generalista e sem alterar os problemas de fundo.
Criticaram o PS por ter um programa curto. Em oposição ouvi dizer que o BE tnha um programa orgulhosamente grande com 200 páginas. Pergunto se a intenção é que ninguém leia ou se também não passa de palha para tapar buracos. Terei ainda de avaliar.

Preocupa-me o facto dos politicos continuarem a ignorar os números da abstenção. Eleição após eleição as campanhas e as promessas são sempre as mesmas para logo a seguir chegarem ao poder e ser favores aos amigos, gasto descontrolado dos dinheiros públicos, nada parece mudar.

Será que não percebem que as pessoas estão cansadas?
Acham honestamente que um cidadão vota por causa dos cartazes que colam e depois não retiram quando acabam as eleições ou mesmo pelo nº de beijos que distribuem nos mercados e nos bairros sociais dos quais só lembram em anos de eleições?

Os politicos têm de se reinventar, ética é necessária e urgente.
Têm de perceber que as pessoas estão fartas das palavras vãs sem sentido, sem medidas concretas, sem resolver os problemas de fundo.

Mas para isso era preciso que os nºs dos votos em branco fossem suficientemente expressivos para parar tudo, para os resultados não poderem representar que uma minoria que votou decida e que um partido que não representa 50% da população possa governar.
Era preciso dar uma lição de cidadania a estes Srs. que estão lá a representar-nos, a nós cidadãos e não a eles nos seus interesses individuais. Era preciso obrigá-los a parar para pensar e mostrar que chega, estamos fartos de vermos o nosso dinheiro que tanto custa a ganhar, seja gasto ao desbarato sem prestarem contas, sem cuidado, sem critérios de razoabilidade.

Era preciso que os cidadãos reconhecessem que têm esse poder e o usassem mas parece-me que ainda estamos longe desse nível e por isso temos os politicos e o Governo resultantes desse mesmo desinteresse.

Há luz ao fundo do túnel mas um longo caminho a percorrer.
Vamos votar mas votar com base em informação e convicção e pensar que não devemos deixar de usar este poder que nos assiste.

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