Sistema Nacional de Saúde?
March 17th, 2008
O nosso sistema nacional de saúde é cheio de incongruências.
A começar pela questão do Nacional. Com a recente vaga de encerramentos de estabelecimentos de saúde, este sistema está cada vez menos nacional e com menos saúde.
Depois a centralização dos serviços em alguns dos hospitais faz com que as pessoas para determinados tipos de serviços de saúde se tenham de deslocar vários kms para poderem ser tratadas ou mesmo examinadas.
É mais fácil irmos ao país vizinho ser atendido e onde não há grandes questões sobre a que zona de Espanha pertencemos para a isntituíção de saúde saber se pode atender ou não.
O caso passa-se nos dias de hoje. Uma pessoa idosa residente em Lisboa é atendida no Hospital de S. José. Dado que fica imobilizada tem de ser acompanhada pelos filhos que vivem nos arredores de Lisboa. As consultas de acompanhamento são feitas no mesmo Hospital em Lisboa.
Após a retirada o gesso, começam os problemas da fisioterapia. Ao que parece o Hospital só pode passar sessões de fisioterapia naquele hospital. Para ser noutro local do país terá de ser a médica de familia a passar. Esta última diz que só pode passar fisioterapia em Lisboa Centro. Os arredores não estão incluídos nas suas competências. Para que essas sessões sejam feitas ao abrigo do SNS, tem a pessoa em causa de se inscrever temporáriamente num médico de familia, já de si superlotado, do local onde vivem os filhos, nos arredores de Lisboa. Ainda assim o médico em causa ainda torce o nariz se pode ou não aceitar alguém.
Quando fazemos os nossos descontos, fazemos para um único sistema de saúde, nacional. Se eu trabalhar no Porto ou em Coimbra, os mesmos descontos são feitos, para a mesma entidade.
Mas quando o cidadão precisa realmente de recorrer a essas instituíções um meandro de corredores e complexidades se apresentam.
Caminhamos a passos largos para o sistema de saúde que vemos nos EUA e que vemos o quão cruel pode ser quando a saúde é gerida em função dos seguros de saúde que as pessoas têm.
Porque será que só adoptamos os maus exemplos e não os bons? Porque nos aproximamos deste exemplo americano que vemos que tem mais buracos que um queijo suíço e não olhamos para outros exemplos como são o caso os Países Nórdicos que têm sistemas de saúde a funcionar pelo Estado?
É preciso analisar as ineficiências do nosso SNS e corrigir-las. Enfrentar a classe médica que se acha uma elite e parar com estas discrepâncias e ineficiênicas principalmente para aqueles que têm de recorrer a estes serviços.
Entry Filed under: Outros ou outras
3 Comments Add your own
1. LSantos | March 17th, 2008 at 10:04 am
hm Sim é reconhecido que o SNS não funciona em Portugal, mas ao invés de comparar com o que não sabemos, vamos lá ver se não estamos (Portugal) a caminhar para a realidade europeia:
“É mais fácil irmos ao país vizinho ser atendido e onde não há grandes questões sobre a que zona de Espanha pertencemos para a isntituíção de saúde saber se pode atender ou não.”
sim e não. Sim se fores turista, não se fores residente, pelo menos nos tempos em que vivi em Barcelona eras encaminhado/a para o hospital da tua residência, o cartão da segurança social tem os teus dados.
Por outro lado, essa regra nãoo se aplica cegamente em Portugal. Eu sou de S.marcos e fui uma única vez ao amadora-sintra, de resto com os mesmos sintomas fui sempre ao S. José e nunca me foi negado atendimento, muito pelo contrário, muitas vezes nem passava pela triagem. Por outro lado no centro de saúde da minha área já me foi negado atendimento, já fui reencaminhada de uma urgência para a oura à meia noite por serem dois centros de saúde a funcionar noite sim noite não, já vi negado atendimento a uma criança de 4 anos que esteve à espera mais de 3 horas porque tinha chegado a meia-noite e só sob revolta das pessoas que lá se encontravam é que a viram, já fui dormir para a porta do centro de saúde para tentar arranjar consulta; a minha avó está à espera de poder tentar marcar consulta para Maio, and so on and so on.
“Caminhamos a passos largos para o sistema de saúde que vemos nos EUA e que vemos o quão cruel pode ser quando a saúde é gerida em função dos seguros de saúde que as pessoas têm.”
Não. Caminha-se a passos largos para o sistema de saúde que impera na maioria dos países europeus…
Tens Inglaterra que ainda trabalha com o NHS, conhecida pelas suas listas de espera de atendimento (superiores a 18 semanas ), pelos outbreaks de superbugs, racionamento, dívidas, falta de meios and so on. É certo que tem uma coisa boa: as crianças têm atendimento gratuito até aos 16 anos. Mas nem assim os habitantes continuam a optar cada vez mais pelos seguros de saúde.
Alemanha: não há SNS. O healthcare é gerido através de seguros de saúde unicamente. É obrigatório ter um seguro de saúde para se se atendido e é obrigatório ter um seguro de saúde quando se assina um contracto de trabalho. Para os trabalhadores, até 50% do seguro é financiado pela entidade empregadora, mas raramente chega a essa pecentagem.
Tens duas hipóteses: seguro público e seguro privado. Seguro privado não tens quaisquer preocupações, não tens atendimento negado em lado nenhum, listas de espera para especialidades ou exames, nada. Mas pagas bem. Eu pago 340 euros por mês.
Seguro público: funciona se fores uma pessoa saudável (e isso o nosso SNS também funciona). Caso contrário, tens um nº fixo de consultas por trimestre, uma quota trimestral para medicamentos e para exames, tempos de espera para marcação de exames e consultas de especialidade, o “normal” . Eu já vi uma velhota pedir uma receita nova para um medicamento que toma regularmente e ser-lhe negada porque já tinha excedido a quota com aquele médico.
Os hospitais são privados. Isto significa que um atendimento nas urgências é pago. E no caso de visitantes, é pago na hora. A mulher de um colega do B. teve de ir lá e por uma intervenção e curativo pagou 70 euros directamente ao médico. Eu vi, estava lá.
O único hospital público é o da Universidade e não tem atendimento geral, são internamentos, maternidade, etc etc.
Curiosidade: desconta-se para a segurança social à mesma.
Um bebé mal nasce é coberto pelo seguro de saúde de um dos pais se este tiver seguro há mais de 1 ano. Até aos 6 meses de idade tem que se decidir porque seguro a criança fica (privado ou público).
França:
Considerado um dos melhores NHS do mundo.
No entanto descontam 20% para a segurana social, o SNS tem uma dívida de 6 biliões de euros.
Desde 23 Novembro de 2007 que os estrangeiros que para lá se mudam, que não trabalhem, não estejam reformados ou cujo país de origem tenha SNS e cubra na área, não podem entrar no sistema de saúde francês até que atinjam a idade de reforma ou vivam 5 anos lá. MAS durante esse período, não se safam com o E121, por um lado porque o formulário tem a duração máxima de 3 meses, por outro porque sem qualquer tipo de cobertura não têm atendimento, É obrigatório terem seguro de saúde durante esse período e só há seguros privados, e um seguro privado custa 2,000€ / ano no mínimo. Curiosamente, quem tenha doenças crónicas, necessite de acompanhamento médico constante etc etc, serão negados os seguros de saúde e terá de apelar ao sistema nacional, o que demora e não é garantido.
A maioria dos médicos permance no privado.
Holanda:
médico de família, hospitais e clínicas são financiados pelo pagamento obrigatório de seguro de saúde *privado*. Acompanhamento médico aos doentes terminais, aos deficientes mentais, aos idosos, é financiado pela segurança social. Para os trabalhadores, até 50% do seguro é financiado pela entidade empregadora, mas tal como na Alemanha raramente chega a essa pecentagem.
O seguro ronda os 100 euros mensais.
Bélgica: seguro obrigatório.
Itália: sistema nacional. MAS tem um ratio de 3,9 médicos para cada 1000 habitantes, a mais alta da europa. É o unico sistema em que o estado paga um ordenado ao médico
Suíça: o único país europeu cujo sistema de saúde é baseado completamente em seguro de saúde privado.
e como mais que um sistema, o que interessa é o que o consumidor dele recebe, aconselha-se a leitura do relatório EHCI 2007,
http://www.healthpowerhouse.com/media/Rapport_EHCI_2007
2. mariadelfinapereira | March 19th, 2008 at 9:05 pm
Li e como sempre achei óptimo o seu texto
Maria Delfina
3. Arminda Dantas | January 16th, 2010 at 3:12 pm
Meu caro, asseguro-lhe que as re-estruturações que refere no seu texto têm muito pouco a ver com a classe médica que “se considera uma elite”. Se investigasse melhor sobre o que fala saberia que a classe em geral está preocupada e muito em desacordo com as medidas implementadas recentemente. É uma questão de política, não de saúde. Esta é uma área onde há maus e bons profissionais como em qualquer outra, mas há-de ter em atenção que os problemas que relata são burocráticos, não médicos. Mas é assim que Portugal pensa. Se o SNS não funciona, a culpa é do médico… Parcial, não?
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